Sala do diretor da "Crosta S.A."
Dia normalmente estressante para o senhor Jacob, o velho ranzinza que a mais de cinquenta anos se deu de corpo e alma a empresa que dirigia, "empresa de ingratos" como costumava resmungar ao lembrar que estava a ponto de ser substituído por um executivo que tinha idade para ser seu neto.
Seu Jacob acabara de expulsar mais um de seus "mensageiros" que acabara de trazer péssimas notícias sobre seu futuro na direção da empresa, para ser mais exato, Jacob expulsou aos berros o pobre homem que apenas tinha sugerido - após as notícias - que uma aposentadoria seria uma idéia a ser considerada.
O homem sai.
Sr. Jacob pede um café para sua secretária pelo interfone da empresa.
Sua filha Maylla aparece de surpresa, proporcionando ao velho um sorriso que ele não tinha mostrado desde o começo do dia.
Maylla vai embora.
O diretor volta a desempenhar suas tarefas, agora um pouco mais aliviado do estresse pela visita de sua herdeira.
O dia termina, e ele vai para sua casa.
Assim se passou o dia 26 de fevereiro daquele ano pela primeira vez.
Pela primeira por que um "momento chave" do dia mudará tudo, o momento chave somado a mente super inteligente e ao mesmo tempo super imbecil de um personagem futuro, um comercial estúpido e camelos... Camelos azuis...
Os sábios camelos azuis:
Jack estava exausto e confuso, exausto por ter andado quilômetros naquele deserto gigantesco e confuso por não lembrar por que estava em um deserto gigantesco. Pelo menos não precisaria se preocupar com o sol, o que era bem curioso já que estava andando em um pedaço do planeta totalmente desprovido de nuvens, de dia e não havia nem um sinal do sol.
A areia também era engraçada, branca como farinha, não entrava nos seus sapatos. Parecia que andava em uma colina pintada de branco, só sabia que era um deserto por que avistava, alguns quilômetros a frente, três camelos azuis - o que não parecia fazer muito sentido - montados por três anões albinos - o que parecia fazer menos sentido ainda - andando em círculos - nem vou comentar o quão isso não parecia fazer sentido para Jack - no topo da duna de areia branca mais alta a vista.
Já que aquele momento estava tão longe de ser sensato quanto Jack estava de casa, Jack concluiu que ele pedia uma atitude tão absurda quanto. Sem exitar, saiu correndo em direção aos camelos e começou a correr em círculos com eles, depois de ver o quão era estúpido aquilo, decidiu tentar se comunicar com os homens que montavam aqueles animais de cor peculiar.
- Os senhores falam a minha língua? - Perguntou Jack com o dedo indicador no queixo. Nada de resposta.
Repetiu a pergunta, mas os anões nem sequer dirigiram o olhar a ele, decepcionado com a recepção, Jack começou a se afastar quando ouviu uma voz grave, digna de locutor de programa romântico dizendo:
- Eles não são pagos para falar.
Assustado, Jack fica uns poucos segundos parado de costas para os homens até virar lentamente e finalmente puxar coragem para perguntar:
- Quem disse isso? - Gaguejou Jack.
- Mas que falta de educação a minha, eu sou Betália, a minha direita está Anália e a minha esquerda obviamente está Cerália. - disse o camelo do meio.
Jack já tinha deixado a lucidez de lado, mais precisamente no ponto em que saiu correndo decidido a dançar com aqueles camelos em circulo, então nem se deu ao trabalho de fazer perguntas do tipo: Por que aqueles camelos falavam? Por que eram azuis? Onde estava o sol?... Mesmo assim uma pergunta ainda o importunava:
- Por que estou aqui? - Perguntou Jack um pouco mais calmo e um pouco menos são.
- Você está aqui - começou Betália - para explicarmos o para você a consequência de sua descoberta.
- Descoberta? - perguntou Jack - Eu não descobri nada de interessante desde que me formei na faculdade...
Betália estava prestes a falar algo quando seu rosto foi congelado pela surpresa da declaração de Jack, o camelo respirou fundo e perguntou, agora o tom de autoridade que tinha usado até então havia sido substituído por um sutil tom de duvida.
- Sério mesmo? - perguntou Betália.
- Merda, merda, merda - berrou Anália enquanto Cerália dava um tapa em sua própria testa de camelo com a pata.
- Deve ter havido um engano, eu...
- Você é um imbecil, o único engano aqui é você.
Jack se sentia um pouco constrangido com aquela discussão familiar então decidiu levantar sutilmente a mão na esperança de que alguém pudesse explicar a ele o que estava acontecendo.
- Escute filho - disse Cerália - Houve um engano, entraremos em contato com você outro dia, agora, por que não me diz aonde eu guardo essas meias?
Jack pensou não ter entendido direito a ultima frase de Cerália:
- Como disse?
- Aonde eu guardo essas meias?
- Hã?
- Por que não abre o olho criatura?
Jack abre os olhos e encontra a diarista que vai à sua casa nas quintas para arrumar sua bagunça.
- Aonde eu boto essas meias meu filho?
O amor é lindo!
Ao sair do escritório do pai, Maylla segue até a esquina a fim de encontrar um Táxi quando é esbarra em um homem, não qualquer homem, Alvaro Lins, o amor de sua vida.
Seis meses depois, Maylla e Alvaro vão morar na mesma casa.
Mais três meses se passam e o casal marca o casamento.
No ano seguinte Maylla engravida.
Oito meses de gestação e Maylla entra em trabalho de parto ao receber a noticia da morte do seu velho pai Jacob.
Jack Joe
Jack Joe, como era chamado pelos amigos, era uma rapaz bem interessante, dono de uma mente brilhante e ao mesmo tempo estúpida. Formado em física, dava aulas na faculdade em que se formou e promovia pesquisas um tanto quanto fantasiosas, inspiradas no seu vício pelos romances fantásticos e - nas ultimas semanas - pelos camelos.
Apesar de ser um cara interessante, não entraremos em detalhes sobre a vida de Jack, iremos diretamente para a parte interessante, a parte em que está noite, é quarta feira e Jack está assistindo um documentário sobre o oriente médio a fim de encontrar algum camelo azul falante zanzando pelo deserto. Quando no comercial Jack se depara com a descoberta da sua vida.
O comercial mostrava dois amigos que não conseguiam se entender de jeito nenhum, até que um dia um terceiro companheiro decide dar cotonettes para os dois amigos, que agora conseguiam ouvir direito e assim passaram a se entender. Era possivelmente o comercial de cotonettes mais estúpido de todos os tempos, mas algum detalhe aleatório que ninguém além de Jack conseguiu captar faria o mundo se perder em um paradoxo.
Dia 12 de fevereiro alternativo parte 1.
Dia normalmente estressante para o senhor Jacob, o velho ranzinza que a mais de cinquenta anos se deu de corpo e alma a empresa que dirigia, "empresa de ingratos" como costumava resmungar ao lembrar que estava a ponto de ser substituído por um executivo que tinha idade para ser seu neto.
Seu Jacob acabara de expulsar mais um de seus "mensageiros" que acabara de trazer péssimas notícias sobre seu futuro na direção da empresa, para ser mais exato, Jacob expulsou aos berros o pobre homem que apenas tinha sugerido - após as notícias - que uma aposentadoria seria uma idéia a ser considerada.
O homem sai.
Sr. Jacob pede um café para sua secretária pelo interfone da empresa.
Sua filha Maylla aparece de surpresa, proporcionando ao velho um sorriso que ele não tinha mostrado desde o começo do dia.
Maylla vai embora.
O diretor volta a desempenhar suas tarefas, quando de repente ouve uma explosão do outro lado da rua, vai até a janela e vê um circulo de pessoas em volta de algo que parecia ser uma gigantesca garrafa de ponta cabeça, dela sai três homens trajando roupas bizarras.
O velho Jacob acende um charuto de frente para a janela, pensando com seus botões: "É desse tipo de jovem excêntrico que eu quero distância".
Mal terminou seu pensamento e sua secretária liga para sua sala:
- Senhor Jacob, três moços bem peculiares estão aqui e querem falar com o senhor, mando entrar?
O Momento Chave.
As teses e estudos de Jack eram tão absurdos quanto infundáveis, mas a falta de fundamento estava com os dias contados. Jack sabia que tinha algo nas mãos, recebera um sinal divino, um sinal vindo de uma forma bem peculiar, diga-se de passagem. Um caderninho com os estudos e cálculos inspirados no movimento das mãos nervosas de um péssimo ator de comerciais de cotonette foi o elo entre o possível e a fantasia de se viajar no tempo.
O problema é que na pratica, a margem de erro da experiência era exorbitante e Jack não tinha as qualidades para ser o criador de tamanha invenção - coragem e total insanidade - então Jack decidiu - achando que seria a melhor saída - enterrar o caderninho com as anotações do estudo que agora continha, além do estudo, um parágrafo com seu nome e os dizeres:
"Este brilhante estudo deve ser posto em pratica assim que houver tecnologia suficiente para ser posto em prática com segurança. Peço que a primeira viagem seja para me visitar e trazer notícias do trabalho".
Obviamente foi a saída mais estúpida possível.
Jack fez o buraco, colocou a caixa contendo o caderno, tapou o buraco e no minuto seguinte não existia mais.